Archive for February 2011

The Queen Is Dead

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Há exatamente dois posts atrás, falei sobre uma dessas bandas com carreiras curtas, poucos discos e muito talento. Do tipo que lançam discos e pouco tempo depois já estão entrando no seleto grupo de bandas lendárias, e que, dificilmente sairão de lá. Foi assim com os Stone Roses, mas principalmente, foi assim com os Smiths. Uns garotos de Manchester que resolveram formar uma banda para cantar as poesias que faziam em casa, em um universo musical que era cada vez mais dominado pelo New Wave e seus sintetizadores.

Uma banda que, por ironia do destino - ou ironia dos integrantes mesmo -, tinha como nome o sobrenome mais comum de todo o Reino Unido. Felizmente, a "normalidade" da banda acabava por aí. Entre belas letras sentimentais e melodias muito bem trabalhadas, a dupla Morrissey (vocais) e Johnny Marr (guitarra) - a banda ainda contava com Andy Rourke no baixo e Mike Joyce na bateria - proclamava, de música em música, que aquele disco seria o amadurecimento musical do grupo.

Particularmente, tenho uma relação muito pessoal com os Smiths. Coisa de família mesmo. Meu pai estava cantarolando esses dias a música "Ask" enquanto o videoclipe passava na televisão. É uma das bandas preferidas dele porque enquanto Morrissey cantava todos os tipos de angústias e medos de uma geração lá na Inglaterra, ele fazia parte dessa geração aqui no Brasil. Se algum dia um cientista desocupado descobrir que gosto musical é uma característica hereditária, eu serei o primeiro a acreditar.

The Queen Is Dead é considerado por muitos o melhor disco dos Smiths e, consequentemente, um dos melhores dos anos 80. Após o fim da banda em 1987, a influência deste trabalho em outros grupos é facilmente detectada. Morrissey se consolidou com sua carreira solo e Johnny Marr fez parte de boas bandas como Modest Mouse e The Cribs. Rourke e Joyce, assim como quando faziam parte dos Smiths, não obtiveram o mesmo sucesso da dupla principal, apesar de ambos terem trabalhados em alguns projetos (um deles com o próprio Morrissey).
A penúltima canção do disco, There Is A Light That Never Goes Out, é considerada uma das melhores músicas da carreira dos ingleses. Quem diria, acabou sendo uma espécie de profecia da era pós-Smiths. A luz daquela que é uma das mais influentes bandas inglesas, nunca se apagou.

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Acabou Chorare

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A música brasileira é, sem dúvidas, uma das maiores riquezas - se não a maior - que nosso país já produziu, e não há quem me convença do contrário. Pesquisar sobre a cultura brasileira, em especial os anos de repressão da ditadura militar, é uma das coisas que mais gosto. Afinal, toda a produção cultural da época, apesar dos quarenta e poucos anos depois, continua sendo maravilhosa e atemporal. A maioria das letras tinha algum tipo de cunho político e como se não bastasse, as músicas contavam ainda com uma grande sofisticação na melodia, traduzida em belíssimos arranjos. Até mesmo as canções que não tinham como foco a situação política do Brasil, passavam alguma mensagem.

E foi dessa "curiosidade", que acabei descobrindo - ou redescobrindo, afinal, já os conhecia - os Novos Baianos, um dos maiores e diferenciados expoentes da música brasileira dos anos 70. Composto por gênios da música, o grupo atingiu seu ápice com o álbum Acabou Chorare considerado por muitos o melhor e mais importante álbum da história da música nacional. Em 2007, a revista Rolling Stone colocou o disco em primeiro lugar na lista dos "100 maiores discos da música brasileira" a frente de grandes artistas como Gilberto Gil, Chico Buarque, Jorge Ben Jor e Os Mutantes.

Os Novos Baianos foram compostos por Moraes Moreira (vocais e violão), Baby Consuelo (vocais), Pepeu Gomes (guitarra), Paulinho "Boca de Cantor" (vocais), Luiz Galvão (compositor principal) e também contavam com o grupo de apoio "Os Leifs" em suas apresentações. Posteriormente, com a saída de Moreira do grupo, Os Leifs passaram a se chamar "A Cor do Som" e acompanharam o cantor por sua carreira solo.

O grupo é, talvez, a maior demonstração do quanto a música brasileira deve ser valorizada, por sua história e qualidade. É praticamente impossível não viajar ao som da voz maravilhosa de Baby em "A Menina Dança", a poesia cantada de Paulinho em "Mistério do Planeta" - menção honrosa aos arranjos espetaculares de Moraes Moreira - ou um inspiradíssimo Pepeu Gomes na guitarra. Resumindo, da forma mais breve possível, os Novos Baianos foram, são, e sempre serão sinônimo de inovação e talento, do mais puro possível.

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The Stone Roses

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De acordo com o Dicionário Aurélio, a palavra "Clássico" é definida por:

Considerado como um modelo do gênero: obra que se tornou clássica.

Se existe uma definição fria e calculista para o álbum de estréia dos Stone Roses, ela acabou de ser escrita, algumas palavras atrás. O disco homônimo é, sem dúvidas, um marco na história da música britânica.
Criada em 1985 por Ian Brown (vocais), John Squire (guitarra), Mani (baixo) e Reni (bateria) na cidade de Manchester, a banda trilhou um dos caminhos mais curtos, porém, "eternos", do Reino Unido. Ao lado dos conterrâneos The Smiths, os Stone Roses entram, com absoluta certeza, no hall de bandas que precisaram de apenas poucos anos para construir histórias fascinantes e fãs absolutamente apaixonados. Um dos precursores do movimento apelidado "Madchester", o grupo tem em seu primeiro disco o maior alicerce do sucesso que banda conquistou ao longo dos anos.

O primeiro contato que tive com os Roses foi com a belíssima colêtanea "The Complete Stone Roses". Diferente do habitual, essa compilação foi bem recebida tanto por fãs como críticos. Com muitas b-sides e praticamente todas as músicas lançadas pela banda sob o selo da Silverstone (primeira gravadora), o disco contou com músicas remasterizadas e novidades por parte dos produtores da coletânea. Algumas faixas não tem os arranjos tradicionais (I Wanna Be Adored foi retirada do single do vinil de 7", portanto, está sem a belíssima introdução presente no disco original), porém, sem tirar a imponência das músicas que fizeram a banda ser referência para praticamente todos os artistas da era britpop.
Noel e Liam Gallagher, ex-integrantes do Oasis, já citaram diversas vezes os Roses como referência musical, daquelas que influenciam carreiras inteiras. Inclusive, Noel trabalhou, no ano de 2004, em uma música com o ex-Stone Roses Ian Brown, chamada "Keep What Ya Got" (você pode ver o vídeo de uma apresentação ao vivo dos dois aqui).

Normalmente o disco de estreia pode destruir ou impulsionar a carreira de uma banda. No caso dos Stone Roses, esse debute foi o que tornou a banda sinônimo de grandeza e belíssima música. Estar entre os melhores discos britânicos de todos os tempos é apenas o bônus para eles, afinal, fazer as músicas que todos já conhecemos é, convenhamos, coisa para poucos e talentosos artistas.

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Perfomance and Cocktails

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Stereophonics é uma banda que sempre me cativou um bocado. Eu costumava ouvir a coletânea Decade In The Sun: The Best of Stereophonics e achar a voz de Kelly Jones algo sublime, porém, nunca fui de verdade atrás dos outros discos. Mal sabia o que estava perdendo.A discografia da banda é uma das coisas mais legais de se ouvir lá pelos lados do Reino Unido desde os álbuns do britpop (apesar do Stereophonics ser rotulado como tal). 

Resolvi falar sobre o que é, na minha opinião, o melhor álbum deles. Além de ser o disco que praticamente consolidou a carreira da banda, as composições que fazem parte deste trabalho são excelentes. Os três integrantes - Kelly Jones nos vocais e guitarra, o baixista Richard Jones e o (agora ex) baterista Stuart Cable - parecem estar mergulhados em uma harmonia indescritível. A voz de Kelly está melhor do que nunca e a banda consegue alternar entre verdadeiros hinos seguidos por músicas mais pesadas, com guitarras e batidas rápidas. O maior exemplo está nas faixas 5 e 6. A maravilhosa Just Looking é seguida pela agitada Half The Lies You Tell Ain't True , balanceando de forma perfeita a essência do disco e a essência da banda. Os Stereophonics, são, acima de tudo, grandes compositores e grandes músicos, fazendo o ato de ouvir um disco como o Perfomance and Cocktails uma verdadeira viagem sentimental, no melhor dos sentidos.


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