Archive for March 2011

Angles

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Quando os Strokes lançaram seu terceiro disco, First Impressions Of Earth, em 2006, muitos acharam aquele álbum o mais diferente lançado pela banda até então. Era o disco que, de certo modo, abandonou um pouco o rótulo de "banda de garagem" e, definitivamente, elevou os norte-americanos ao patamar de banda grande. As músicas mais trabalhadas foram o sinal verde para uma nova fase na vida dos Strokes, em todos os sentidos. Sinal verde para os projetos-solo engavetados pelos integrantes, sinal verde para um hiatus na carreira da banda.
O vocalista Julian Casablancas lançou em 2009, um álbum solo intitulado Phrazes for The Young. O baixista Nikolai Fraiture tem o projeto paralelo Nickel Eye. O guitarrista Albert Hammond Jr. também tem seu próprio disco, chamado Yours To Keep. E por fim, o baterista "brasileiro" Fabrizio Moretti tocou no elogiadíssimo Little Joy.

Desde então, muito se falou sobre um possível fim da banda. De projetos em projetos, os Strokes deixavam os fãs cada vez mais confusos. Declarações como a do guitarrista Nick Valensi, para o website musical Pitchfork, dão uma noção sobre qual era o clima na banda pós-First Impressions:

"Eu não sou um grande fã de trabalhos solo. Eu sou da opinião de que, se você está numa banda, é isso o que você faz. Se há material de sobra e tempo disponível, então tudo bem. Mas se você está tocando o material que você ainda nem apresentou à sua banda principal e está guardando para si mesmo, não acho isso legal. Nesse ponto, não sei nem mesmo se teremos um quarto álbum."


Quando parecia que os Strokes seguiriam o já tradicional caminho sucesso-brigas-fim que muitas bandas seguiram, eis que surge, no website da banda, um aviso de que, o grupo estava de vola à ativa. Após uma espera de cinco anos, os nova-iorquinos lançavam um álbum com material inédito. O disco, chamado Angles, teve seu lançamento anunciado para o dia 22 de Março e fez com que a expectativa dos fãs ao redor do mundo aumentasse cada vez mais.

Toda a epopéia chamada Angles começou com o download gratuito, fornecido pela banda, do single Under Cover of Darkness. Após alguns minutos, o endereço http://new.thestrokes.com/ já estava fora do ar devido  às centenas de milhares de acessos. Os Strokes, definitivamente, estavam de volta.
Neste disco, é notável a diferença musical da banda em relação aos outros álbuns. Os elementos eletrônicos e influências dos anos 70/80 dão o tom em um trabalho que é a síntese de, quem sabe, uma nova fase na carreira do grupo. Pela primeira vez, desde a criação da banda, o processo criativo não ficou centralizado apenas em Casablancas, o que ajudou a diversificar o repertório dos Strokes. Apesar de algumas "recaídas" aos velhos tempos, Angles é a prova perfeita de que Julian e Cia. estão evoluindo, em todos os sentidos.
Pra quem achava que First Impressions of The Earth era diferente, o espanto ao ouvir o álbum será imediato, por razões óbvias. Entretanto, por mais estranho que seja no início, o ouvido se acostuma, de uma forma bem positiva, ao "novo Strokes".
A era de ouro da banda, no começo dos anos 2000, já se foi. Gostando ou não, o fato é que os integrantes, com todos os projetos já aqui citados, cresceram, musicalmente falando. Esperar um novo Is This It ou Room On Fire é aquele tipo de utopia que já ouvimos centenas e centenas de vezes.

E só para lembrar, esse ano ainda tem coisa nova dos Arctic Monkeys, preparem seus ouvidos para o "lamento" de fãs...

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Different Gear, Still Speeding

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Dizer-se fã de alguém ou alguma coisa é, pelo menos para mim, algo muito relativo. O significado de fã pode variar, e muito, de pessoa para pessoa. Para uns, fã é aquele que sabe a data de nascimento do cão de estimação de determinado artista.  Para outros, nada disso importa.
Sendo fã ou não, a questão é que o Oasis é, de longe, minha banda preferida. Posso dizer com absoluta certeza que eles foram os principais "culpados" pelo início dessa minha paixão pela música. Foi deles o primeiro disco que eu realmente ouvi, foi deles o primeiro clipe que eu realmente gostei. Até hoje continuo sendo um admirador incondicional do que os Gallagher fizeram.

A questão é que, assim como eu, muitos desses fãs acham que Liam Gallagher é um compositor mediano - sendo bonzinho - se comparado ao irmão mais velho, Noel. Quem pesquisar um pouco por aí verá que, desde o início, a responsabilidade pela criação das músicas do grupo foi sempre de Noel. E, cá entre nós, hinos como Don't Look Back In Anger, Live Forever, Whatever - e até o maior hit da banda, Wonderwall - mostram que essa expectativa foi muito bem atendida. Praticamente tudo que o Oasis produziu, desde sua criação, foi fruto do que Noel Gallagher produziu.
Aí veio o ano 2000, o fim do século, o fim de uma "era" da banda britânica. Com ele também vieram composições do outro irmão e assim o mundo pôde conhecer um novo lado, o lado Liam. Com Little James, o caçula estreou sua primeira música no disco Standing On The Shoulder Of Giants. Claro, não foi unanimidade entre os fãs e continua não sendo. Inegavelmente, Liam Gallagher viveu sempre sobre a sombra de Noel enquanto os dois faziam parte de uma mesma banda.

Apesar de tudo, as músicas do Oasis passaram a ser mais "dividas". Além de Liam, o guitarrista Gem Archer e o baixista Andy Bell também começaram a compor músicas para os discos pós-Standing. É notável - pelo menos pra mim - a melhora de Liam. I'm Outta Time ,uma de suas últimas músicas com o Oasis é também uma das minhas favoritas do disco Dig Out Your Soul.
Alguns meses depois, a banda acabou de vez. Em uma apresentação em um festival francês, em 2009, o Oasis acabou em meio as já tradicionais polêmicas que sempre cercaram a banda: guitarras quebradas, supostas ofensas pessoais entre os irmãos - que mal se falavam - nos bastidores e o fim de uma das maiores bandas inglesas de todos os tempos.


Ainda sim, o fim do Oasis foi considerado uma boa notícia para o resto da banda. Após as brigas com Noel, Liam e os outros integrantes formaram a Beady Eye. Enquanto o irmão mais velho quis paz e tranquilidade com sua esposa e seus filhos, o mais novo estava a todo vapor, compondo com Andy e Gem o que seria o primeiro disco de todos ali na era pós-Noel.
Com as esperanças de um retorno praticamente acabadas, coube aos fãs aguardar o lançamento de Different Gear, Still Speeding. Ainda não foi lançado, mas o álbum já está disponível internet afora há algumas semanas. Ouvindo o disco pela primeira vez, cometi talvez o mais comuns e mais inevitáveis dos erros: uma comparação com a antiga banda de Liam. Esperar que a Beady Eye supere o que foi o Oasis é o pensamento mais utópico possível. É como esperar que um álbum solo de Roger Daltrey/Pete Townshend seja melhor que qualquer disco do The Who, ou tentar imaginar como seriam os Beatles sem McCartney ou Lennon (guardadas às devidas proporções).
Agora, se você ouvir este álbum sem nenhum tipo de comparação, como eu fiz depois de algum tempo, posso te garantir: a Beady Eye não te decepcionará. Não é o mais espetacular dos álbuns mas é, sim, bom. É notável a melhora do trio Liam-Gem-Andy nas composições e o piano que parecia pesar nas costas de todos aparentemente foi embora junto com Noel.

Considerando tudo que os integrantes passaram há pouco tempo, Different Gear, Still Speeding é, quem sabe, o surpreendente grito de independência de Liam Gallagher, ainda que seja um pouco cedo para dizer se essa é a banda definitiva dos próximos álbuns. Talvez o título do disco seja a primeira das muitas respostas que Our Kid ainda nos dará.

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